"Os argumentos são, quase sempre, mais verdadeiros do que os factos. A lógica é o nosso critério de verdade, e é nos argumentos, e não nos factos, que pode haver lógica". Fernando Pessoa

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domingo, 21 de novembro de 2010

Cimeira Nato, Lisboa 2010- Fomentação da guerra ou estabelecimento da paz?


Durante os passados dias de 19 e 20 de Novembro ocorreu em Lisboa uma das mais importantes cimeiras a ter lugar em Portugal, a Cimeira da Nato. Cimeira essa que colocou, aquando da sua realização, Portugal no centro da decisão política mundial constituindo, portanto, um importante marco na evolução da Aliança Atlântica e no estabelecimento de acordos e políticas para as missões militares da organização e a intervenção nas futuras ameaças ao ocidente. Contou com mais de 40 chefes de estado e de governo, no sentido, de se decidirem futuras medidas da Nato em palcos de guerra ou em relações entre países e organizações. Como acontece, com a missão no Afeganistão ou as relações Nato-Rússia, após 44 anos de Guerra Fria(1947-1991), e que ainda não haviam sido totalmente sanadas, tendo, para isso contribuído de forma categórica, a histórica presença do presidente russo, Dmitri Medvedev.
Ora, é pois, sobre a existência da Nato e as suas missões militares , que se constituem as mais variadas reflexões, transversais a todos os cidadãos, ideologias e regiões do globo. Reflexões essas que se prendem, essencialmente, com as diferentes visões dos seus valores de segurança e liberdade e a razão da sua criação, em 1949.
Não obstante o facto da Aliança Atlântica ter surgido no intuito de se ôpor à aliança dos países de pendor socialista, efectivada pelo Pacto de Varsóvia, contribuindo por isso para o desenrolar da Guerra Fria. A verdade é que, no meu entender, a Nato constitui-se hoje, como um importante instrumento de segurança e defesa dos países ocidentais face às ameaças que o mundo enfrenta, como o terrorismo, a pirataria na Somália ou os ciberataques. Realidades essas que resultam do culminar de actividades e grupos terroristas como os Talibans no Afeganistão ou a pirataria na Somália, e que são, sem dúvida, ameaças, não só para os países ocidentais como também para as próprias populações locais.
Com esta cimeira, definiu-se no conjunto dos 28 estados-membros presentes, que a missão no Afeganistão, iniciada após o 11 de Setembro, terminará em 2014, período em que o país encontrará a transição para um regime livre e soberano. Concordou-se também na cooperação política e militar entre Nato e Rússia, colocando-se em cima da mesa a possibilidade deste último país ingressar na Aliança juntamente com outros países da ex-URSS, como a Geórgia ou a Ucrânia com os quais a Rússia tem tido, relações extremamente difíceis e conflituosas. Tendo para isso também sido decidida a construção do escudo antí-míssil, de Vancouver no Canadá a Vladistok na Rússia a fim de proteger os países de eventuais ataques nucleares de países com regimes ditatoriais e com capacidade nuclear.
É, portanto, com estas possibilidades em cima da mesa, resultantes dos acordos tomados e políticas definidas bem como na esperança que os problemas que afectam o mundo neste inicio de século, se possam esfriar, que entendo que num futuro não muito longínquo se possa chegar a um entendimento entre os estados. Sarando também, grande parte das feridas do passado, num momento de grande crise económica e social para as populações. A ver vamos se a Nato conseguirá fazer face aos desafios do futuro, garantindo não só a segurança dos seus países como também assegurando a paz em palcos de guerra e a luta incessante contra o terrorismo e, quiçá, construir um caminho para a desnuclearização.